Antonio Quinet – A estranheza da psicanálise (A Escola de Lacan e seus analistas)

Uma dica para aqueles que se interessem pelo estudo sobre a formação do psicanalista de orientação lacaniana:

“Não há formação do analista; há formação do inconsciente”, dizia Lacan, para ressaltar que a necessidade de aprendizado e de prestação de contas por parte do psicanalista existe, mas ela é individual e não pode ser padronizada por leis. Numa época em que se discute a possível regulamentação, pelo Estado, da prática profissional do analista, essa afirmativa mostra o quanto é essencial um retorno aos fundamentos da Escola de Lacan.

Mostrando a articulação entre teoria, clínica, instituição e política, Quinet examina em profundidade a conjunção entre a análise e o ensino. Nesse percurso, descreve e comenta o projeto original de Lacan ao fundar a Escola Freudiana de Paris, em 1964; detalha as causas de sua dissolução em 1980 e as consequências da pluralização de escolas de psicanálise em todo o mundo.

•Editora: Jorge Zahar
•Autor: ANTONIO QUINET
•ISBN: 9788537801680
•Origem: Nacional
•Ano: 2009
•Edição: 1
•Número de páginas: 208
•Acabamento: Brochura
•Formato: Médio
•Código de Barras: 9788537801680

Viggo Mortensen se destaca no papel de Freud

Um Método Perigoso
Em entrevista, ele elogia o diretor e critica o Oscar

No aclamado longametragem “Um Método Perigoso”, em cartaz nos cinemas, Viggo Mortensen interpreta Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Aos 53 anos, o astro nos contou já ter feito terapia. “Senti que precisava falar com alguém objetivamente”, disse.

Como foi a sua preparação para o papel?

Bem, provavelmente foi uma escolha pouco óbvia. Eu mesmo pensei isso quando David [Cronenberg] me convidou, porque era fisicamente diferente de Freud. Mas, uma vez que descobri como fazer o papel e ficar confortável com isso – não só com seu tipo físico, mas também com o jeito com que falava e seu senso de humor –, pude colocar alguma ironia ali. Li tudo que pude sobre como ele se mexia e falava. Então a imagem clichê que eu tinha dele, como um velho magro com cabelo branco, foi embora. Antes de ter câncer, Freud era robusto, muito divertido, generoso e educado, além de inteligente.

Você já fez terapia?

Sim, uns 20 anos atrás, por um curto período. Senti que precisava falar com alguém objetivamente, que não tivesse nenhum interesse emocional na situação. Às vezes você pode simplesmente falar com um amigo próximo, mas, em algum ponto, esse tipo de confissão sem nenhum julgamento é uma boa ideia. Sei que me ajudou.

Como foi o trabalho com Michael Fassbender e Keira Knightley?

Foi muito bom. Eu não os conhecia. Sempre gostei de Keira como atriz e nunca entendi porque alguns críticos, especialmente na Inglaterra, sempre a atacavam. Ela estudou muito, se preparou e fez um excelente trabalho. Michael Fassbender também fez um bom [Carl] Jung. Nós nos divertimos muito no set. Tanto Keira quanto ele são fãs de futebol assim como eu, então assistíamos aos jogos da Copa do Mundo quando tínhamos tempo livre.

Há rumores sobre possíveis prêmios Oscar para o Filme.

Minha experiência diz que isso é algo do qual nunca se sabe. Mais da metade das indicações são frequentemente questionáveis. Não faz sentido algumas atuações serem simplesmente esquecidas. Tive a sorte de ter sido indicado uma vez, e foi uma surpresa agradável, mas fiz outros papéis que acredito terem sido tão bons ou melhores do que aquele. Mas não entendo o porquê de Cronenberg nunca ter sido indicado a melhor diretor. Para mim, ele faz parte do pequeno time dos poucos cineastas consistentes de todo o mundo. Mas o que fazer? É só um tipo de loteria estranha, um concurso de popularidade.

Fonte: Band – www.band.com.br

Homofobia e Homossexualidade

Contardo Calligaris

“EXPERIÊNCIA MOSTRA QUE INDIVÍDUOS HOMOFÓBICOS SENTEM EXCITAÇÃO DIANTE A DE ESTÍMULOS HOMOSSEXUAIS.”

Desde o fim do ano passado, em São Paulo, assistimos a uma série de ataques brutais contra homossexuais ou homens que seriam homossexuais aos olhos de seus agressores.

No fim de 2010, por decreto da Presidência da República, foi estabelecida a finalidade do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (parte da Secretaria de Direitos Humanos).

Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união entre pessoas do mesmo sexo como unidade familiar. Não me surpreende que uma explosão de homofobia aconteça logo agora, pois, em geral, o ódio discriminatório aumenta de maneira diretamente proporcional aos avanços da tolerância.

Funciona assim: quanto mais sou forçado a aceitar o outro como igual a mim, tanto mais, num âmago que mal reprimo, eu o odeio e quero acabar com ele. Mas por que eu preferiria que o outro se mantivesse diferente de mim? Por que não quero reconhecê-lo como igual? O termo de homofobia, inventado no fim dos 1960, designa, mais que um preconceito, uma reação emocional à presença de homossexuais (ou presumidos homossexuais), num leque que vai do desconforto à ansiedade, ao medo e, por fim, à raiva e à agressão.

Numa entrevista na “Trip” de outubro (http://migre.me/6563w), apresentei a explicação clássica da homofobia do ponto de vista da psicanálise: “Quando as minhas reações são excessivas, deslocadas e difíceis de serem justificadas é porque emanam de um conflito interno. Por que afinal me incomodaria meu vizinho ser homossexual e beijar outro homem na boca? De forma simples, o que acontece é: ‘Estou com dificuldades de conter a minha própria homossexualidade, então acho mais fácil tentar reprimir a homossexualidade dos outros, ou seja, condená-la, persegui-la e reprimi-la, se possível até fisicamente, porque isso me ajuda a conter a minha’”.

Exemplo: se eu sinto (e não quero sentir) atração por um colega de classe do mesmo sexo, o jeito, para me convencer que não sinto atração alguma, é chamar esse colega de veado, juntar um grupo que, como eu, odeie homossexuais e esperar o colega na saída da escola para enchê-lo de porradas.

Um amigo me perguntou se essa interpretação da homofobia não era sobretudo uma forma de vingança: você gosta de agredir homossexuais pelas ruas da cidade? Olhe o que isso significa: você mesmo é homossexual. Gostou? O amigo continuou: “Isso não é bonito demais para ser verdade?”.

Pois bem, anos atrás, pesquisadores da Universidade da Georgia selecionaram 64 homens que (na escala Kinsey) se apresentavam como sendo exclusivamente heterossexuais. Todos foram testados por uma entrevista (clássica, o IHP) que estabelece o índice de homofobia, de 0 a 100. Com isso, foram compostos dois grupos: os não homofóbicos (IHP de 0 a 50) e os homofóbicos (IHP de 50 a 100).

Nota: chama-se pletismógrafo um instrumento com o qual se registram as modificações de tamanho de uma parte do corpo.
Pois bem, todos vestiram um pletismógrafo peniano, graças ao qual qualquer ereção, até incipiente e mínima, seria medida e registrada. Depois disso, todos os 64 foram expostos a vídeos pornográficos de quatro minutos mostrando atividade sexual consensual entre adultos heterossexuais, homossexuais masculinos e homossexuais femininos.

À diferença do que aconteceu com o grupo de controle (ou seja, com os não homofóbicos), a maioria dos homofóbicos teve tumescência e ereção significativas diante dos vídeos de sexo entre homossexuais masculinos. Confirmando a interpretação da psicologia dinâmica: indivíduos homofóbicos demonstram excitação sexual diante de estímulos homossexuais.

Existe a possibilidade de que a excitação manifestada pelos homofóbicos seja efeito, por exemplo, de sua vontade de quebrar a cabeça dos protagonistas dos vídeos -existe, mas é remota (porque os 64 indivíduos da amostra passaram todos por um questionário que mede a agressividade, e ninguém se mostrou especialmente agressivo).

Para quem quiser conferir, a pesquisa, de Henry E. Adams e outros, foi publicada no “Journal of Abnormal Psychology” (1996, vol. 105, n.3), com o título “Is Homophobia Associated with Homosexual Arousal?” (a homofobia é associada à excitação homossexual?) e é acessível na internet: http://migre.me/656Z4.

Enviado por: Paulo Oliveira
Autor: Contardo Calligaris

Fonte: Imbroglio

Um papa no divã

O filme “Habemus Papam” causa polêmica ao satirizar os rituais internos do Vaticano e ao retratar um cardeal que recorre à psicanálise para enfrentar suas angústias
Ivan Claudio

Pouco antes de ser eleito papa, Bento XVI fez a seguinte prece a Deus: “Não me faças isso.” Pedidos idênticos são ouvidos no início do filme “Habemus Papam”, do diretor italiano Nanni Moretti, e cujo enredo se desenvolve no Vaticano durante um conclave para a escolha de um novo pontífice. Reunidos sob os majestosos afrescos da Capela Sistina, os cardeais pronunciam a mesma súplica de Bento XVI – e entre eles está o francês Melville, interpretado por Michel Piccoli, a quem é destinada a tarefa de guiar os católicos. Melville entra em crise. Surta. A poucos passos da sacada que dá para a praça de São Pedro, falta-lhe a coragem de se dirigir à multidão. Solta um grito de pânico, dá meia-volta e se encerra nos aposentos papais. Ao que se assiste a seguir é um enredo ousado, que se arrisca a especular sobre as angústias de uma pessoa “escolhida por Deus” e, por extensão, o que acontece entre os muros intransponíveis da Santa Sé. A Igreja, obviamente, não gostou da novidade e adotou uma estratégia eficiente. Optou pela indiferença: melhor não falar desse filme, ele é virulento e inteligente.

“Habemus Papam”, que vem sendo exibido com sucesso em sessões de pré-estreia e tem lançamento previsto para as próximas semanas, polemiza sem fazer nenhuma menção a escândalos ou posturas conservadoras do clero. Moretti preferiu retratar um papa que duvida de sua capacidade para conduzir a Igreja Católica e, assim, discute a posição do Vaticano num mundo cada vez mais secularizado. A situação revela-se um tanto absurda, mas, em se tratando de uma comédia dramática, ela é aceita sem grandes desconfianças. Os assessores do papa, por exemplo, não suspeitam de que ele esteja passando por dilemas da fé. Veem a crise como depressão e decidem chamar o melhor psicanalista de Roma, interpretado pelo próprio Moretti. A terapia, claro, não surte efeito – para o catolicismo, o inconsciente não existe, o que temos é alma. Impedido de abandonar o local, já que pelas regras do conclave ninguém pode se ausentar enquanto o papa não se apresentar aos fiéis, o psicanalista se entrosa com os religiosos. E eles se mostram tão mundanos quanto os mais comuns dos mortais: jogam baralho, têm pesadelos, fazem uso de hipnóticos, ansiolíticos e calmantes.

Na falta do que fazer, organizam um campeonato de vôlei por sugestão do terapeuta. Imaginam que Sua Santidade está orando quando, na verdade, ele se encontra fugindo pelas ruas de Roma e termina por se envolver com uma trupe de teatro na esperança de reaver o seu sonho de juventude em ser ator.

Como desejava rodar essa história no Vaticano e, assim, economizar alguns milhões de euros, Moretti mostrou o roteiro para o encarregado da área cultural da Igreja, Gianfranco Ravasi, que torceu o nariz. A solução, então, foi reconstruir nos estúdios Cinecittá a Sala Regia e a Capela Sistina – só para reproduzir os afrescos de Michelangelo tiveram de ser utilizados 1,2 mil metros quadrados de telas. Outros interiores foram simulados no Palácio Farnese, sede da embaixada da França, e na Villa Médicis. Afora essa sensação de autenticidade, especialistas em teologia identificaram pontos em comum entre Melville e alguns papas reais. João XXIII, por exemplo, gostava de andar disfarçado pelo Borgo Pio, nos arredores do Vaticano; João Paulo II foi ator amador; e Celestino V abdicou do cargo seis meses depois de sua eleição. Resta saber se algum deles gostava da cantora argentina Mercedes Sosa, cuja música “Todo Cambia” (tudo muda) embala as melhores cenas do filme.

Fonte: Isto É – www.istoe.com.br

CONCEITUANDO – Curso de Introdução ao Pensamento Psicanalítico

Programa do Curso

Partindo de textos da obra freudiana, o curso tem por objetivos proporcionar a apresentação, o estudo e a discussão de conceitos fundamentais para uma leitura inicial e comprometida com a Psicanálise. Destinado a profissionais e estudantes de Psicologia que desejam uma (re)aproximação com a teoria psicanalítica.
O curso, estruturado a partir da interlocução teórico-clínica, é disposto da seguinte forma: Módulo I – O Aparelho Psíquico, O Inconsciente, A Pulsão, O Sintoma e a Transferência; Módulo II – A 2ª Tópica Freudiana, O Recalque, O Narcisismo, O Complexo de Édipo e a Histeria.

Coordenação:
Manoel P. Taveira Jr.
Psicólogo, Psicanalista pelo “Departamento de Psicanálise” do Instituto Sedes Sapientiae, Supervisor Clínico, Coordenador de Grupos de Estudo em Psicanálise, Professor Universitário e Mestrando em Psicologia Clínica pela PUC / SP (Núcleo Método Psicanalítico e Formações da Cultura).
CRP: 06/66358

Início Previsto para dia 03/03/2012

Cada módulo demanda 6 encontros, com total de doze horas. As aulas acontecem quinzenalmente aos sábados (Módulo I: 10h – 12h)
(Módulo II: 14h – 16h).
Com mínimo de 6 e máximo de 15 pessoas por grupo.
O investimento por módulo é de R$450,00
(em até 3 parcelas no cheque)
Certificado entregue ao final.

* Inscrições pelo (15) 3327 2014 (com Simone) ou pelo site www.psicologianocotidiano.com.br
Maiores informações sobre o curso: psi.taveira@gmail.com